Inspeção sanitária da carne ainda vai passar por grande período de observação, aponta SFA/MS
Todo o sistema de inspeção sanitária da carne brasileira ainda vai passar por um grande período de observação, em razão dos reflexos da operação “Carne Fraca”, da Polícia Federal, que apurou o envolvimento de fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em um esquema de liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos. A avaliação foi feita na manhã desta quinta-feira (13), pelo superintendente federal de Agricultura de Mato Grosso do Sul (SFA/MS), Celso de Souza Martins, em entrevista ao Bom Dia MS.
Mato Grosso do Sul não esteve entre os estados alvos da ação, mas seus reflexos causaram apreensão em toda a cadeia produtiva, não somente no estado, sexto maior exportador brasileiro do produto, como em todo o país. “Vamos passar ainda por um período de grande renegociação de contratos, de apresentação do sistema [de inspeção sanitária animal] e de novas auditorias. Isso vai gerar uma rotina de trabalho intensa no MAPA”, analisou o superintendente.
Martins disse que o impacto da operação, que encontrou irregularidades em poucas unidades em um universo de 4.800 frigoríficos no país, foi muito grande e errôneo. “Muitas informações foram divulgadas sem avaliação técnica específica. Existe muita especificidade, principalmente nos termos. Isso gerou uma comoção com relação a qualidade e segurança do serviço, que somente com o tempo vamos reverter. O selo do Serviço de Inspeção Federal, o SIF, foi apontado há pouco tempo como uma das marcas mais conhecidas do Brasil e ele continua sim a representar a qualidade da carne e do produtos que certifica”, ressaltou.
O superintendente disse que apesar do impacto na opinião pública da operação, que no estado não houve nenhuma mudança no sistema de fiscalização.“ O que nós fizemos recentemente foi antecipar um pouco o calendário de supervisões, porque cada frigorífico tem a inspeção permanente. A superintendência faz um rodizio com outros técnicos, fazendo as supervisões. Estamos antecipando isso, para passar orientações, principalmente por conta do regulamento novo que saiu recentemente”.
A regulamentação a que faz referência Martins é um decreto e uma Medida Provisória que foram assinados no fim de março preço presidente da República, Michel Temer, que aumentam o rigor e a punição aos frigoríficos que descumprirem resoluções sanitárias, em uma iniciativa para modernizar a fiscalização e reforçar a qualidade da proteína animal brasileira.
“A divulgação dessa nova regulamentação foi uma coincidência. O Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem (Riispoa), tem quase 60 anos. E ao longo dos últimos 10 anos ele vem sendo revisado, principalmente para modernizar o sistema e incorporar novas tecnologias. O que aconteceu foi que coincidiu dessa atualização ser divulgada neste período após a operação”, explica.
Em relação ao aumento da exportação de carne bovina que o estado e o país registraram em março em relação a fevereiro, o superintendente da Agricultura em Mato Grosso do Sul, comenta que ele não pode servir como parâmetro para analisar o impacto da operação no setor, porque o produto embarcado no mês é relativo a contratos que foram fechados em outubro e novembro do ano passado.
A maior receita das exportações de proteína animal pelo estado no mês veio da carne bovina. Os dados do Mapa apontam que Mato Grosso do Sul despachou 13,022 mil toneladas (41,38% do total) e obteve uma receita de US$ 51,719 milhões (58,97% do total). O produto foi embarcado para 32 destinos. O grande comprar foi Hong Kong com 3,125 mil toneladas, e uma movimentação financeira com as operações de US$ 11,974 milhões.
Fonte: G1 | Foto: Redes Sociais
Fonte: G1 | Foto: Redes Sociais



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